Duque de Caxias fica na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. E é difícil…

Pra quem ama História e pra quem vê a potência do caldo humano pujante presente nesta região, Caxias é uma cidade extremamente rica e promissora. Mas que foi historicamente massacrada pela política aliada ao banditismo, pela depredação da Mata Atlântica, pelos crimes ambientais como as retificações de rios, pelo abandono do Estado, pela exploração da miséria, pelas doenças ligadas à pobreza, pela grilagem de terras, pelos grupos de extermínio, pela especulação imobiliária, pela sombra exercida pela cidade do Rio e pela ação pesada da ditadura militar, resultando numa cidade escrota, pra dizer o mínimo.

Hoje é isso: IDH ridículo, vergonhoso, dinheiro em quantidade imensa, uma das maiores concentrações de renda do país, uma visão política estreita, uma classe política que na maior parte transita entre o idiota e o corrupto, ou os dois – exceções constrangedoramente poucas.

Caxias não é pra principiantes.

Caxias dá raiva.

Mas, existe uma cidade que não é conhecida ou é escondida – e essa é incrível. Mata Atlântica original, de natureza abundante. Uma história com H maiúsculo. Terra de histórias riquíssimas como a Escola Regional de Meriti, o terreiro de Joãozinho da Gomeia, de uma das células mais importantes do Partido Comunista do país, da Escola de Samba Cartolinhas de Caxias, com Hélio Cabral e Solano Trindade de frente, de um vigoroso movimento camponês organizado, uma terra musical por excelência.

E segundo o IBGE, uma cidade com pelo menos 150 mil pessoas estudando, faculdades apinhadas de gente, grupos culturais na ativa. Bandas de rock em profusão. Nomes de proa no cenário do samba no Estado. Uma geração de artistas plásticos com moral na cena underground. Poetas de sucesso no circuito da poesia. Cinema sendo reconhecido até fora do país.

Há uma cidade invisível que está emergindo e que ainda vai fazer mais barulho…

Evoé!