{"id":391,"date":"2011-03-30T16:27:08","date_gmt":"2011-03-30T16:27:08","guid":{"rendered":"http:\/\/lurdinha.org\/site\/?p=391"},"modified":"2011-03-30T17:06:40","modified_gmt":"2011-03-30T17:06:40","slug":"o-rap-e-o-repente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lurdinha.org\/site\/o-rap-e-o-repente\/","title":{"rendered":"o rap e o repente"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/cantador.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-397\" title=\"cantador\" src=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/cantador.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/cantador.jpg 200w, https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/cantador-150x300.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>O Repente, g\u00eanero l\u00edtero-musical em que o autor improvisa em p\u00fablico versos e melodias, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o da cultura popular brasileira.<\/p>\n<p>Este se distingue de outros g\u00eaneros liter\u00e1rios que necessitam de elabora\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, artesanal, dos seus criadores, posto que, nele n\u00e3o existe a preocupa\u00e7\u00e3o com o registro, sendo assim, a voz do poeta o melhor ve\u00edculo de divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A enuncia\u00e7\u00e3o da Cantoria ocorre, tradicionalmente, pela voz de uma dupla de cantadores, que n\u00e3o raro formam parcerias que chega a durar anos, afora a rotatividade requerida por desafios ocasionais.<\/p>\n<p>Infal\u00edvel \u00e9 ainda o apoio instrumental com que todo cantador acompanha a si mesmo. Para tal fun\u00e7\u00e3o, predominaram ao longo do s\u00e9culo XX a viola sertaneja e, mais tardiamente, o viol\u00e3o; a festejada figura do sanfoneiro, t\u00e3o comum na m\u00fasica nordestina, \u00e9 exce\u00e7\u00e3o entre os cantadores.<\/p>\n<p>Por outro lado, at\u00e9 o s\u00e9culo XIX, os ind\u00edcios apontam para o predom\u00ednio absoluto da extinta rabeca, em todas as \u00e9pocas e lugares, o acompanhamento pelo pandeiro, que chega a ser regra na Embolada, subg\u00eanero da fam\u00edlia do Repente.<\/p>\n<p>Ao ver de C\u00e2mara Cascudo os desafios atrav\u00e9s do canto s\u00e3o primordialmente origin\u00e1rios da cultura grega, posteriormente alastrando-se pela Europa e na seq\u00fc\u00eancia chegou ao oriente por meio dos \u00e1rabes.<\/p>\n<p>Outro autor , se refere a poesia europ\u00e9ia da idade m\u00e9dia como reflexo primeiramente da influ\u00eancia \u00e1rabe, no Brasil a cantoria de improviso surgiu no nordeste, tendo tal regi\u00e3o do pa\u00eds sido respons\u00e1vel por grande parte do tr\u00e1fico escravo, sendo palco na \u00e9poca de quilombos como Palmares.<\/p>\n<p>A partir desse dado, entre outros, v\u00ea-se a possibilidade do repente, assim como o rap, estar mais pr\u00f3ximos de uma origem africana do que europ\u00e9ia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/cantadores.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-398\" title=\"cantadores\" src=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/cantadores.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"167\" \/><\/a>Baseada em pressupostos da tradi\u00e7\u00e3o, a cantoria nordestina desenvolveu-se como uma express\u00e3o marginalizada.<\/p>\n<p>Em princ\u00edpio, produzida por indiv\u00edduos depreciados pela sociedade, a cantoria acontecia basicamente no meio rural, em s\u00edtios, fazendas, e n\u00e3o parecia \u201celegante\u201d gostar desse g\u00eanero, uma vez que era elaborada e direcionada a um grupo minorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s t\u00e9cnicas de improvisa\u00e7\u00e3o verbal, o Repente apresenta uma riqueza vertiginosa de esquemas de metros e rimas cuja obedi\u00eancia rigorosa \u00e9 condi\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel para o reconhecimento da compet\u00eancia do cantador e de sua arte.<\/p>\n<p>A derrota em uma Peleja ou Desafio, decretada pelo j\u00fari ou pelo senso comum dos espectadores, costuma vir associada a crit\u00e9rios muito sutis, e por vezes at\u00e9 subjetivos.<\/p>\n<p>Os esquemas de metros e rimas de tais g\u00eaneros po\u00e9ticos populares, atualmente ainda ignorados pela cultura formal, t\u00eam sua estrutura reconhecida por um p\u00fablico que, distante das escolas, encontra em sua tradi\u00e7\u00e3o cultural os ensinamentos necess\u00e1rios \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o dessa arte oral em todo o seu refinamento e complexidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 o rap pode ser considerado a trilha sonora do hip-hop.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/afrikabambataa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-399\" title=\"afrikabambataa\" src=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/afrikabambataa.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/afrikabambataa.jpg 200w, https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/afrikabambataa-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>O Hip Hop \u00e9 um movimento de cultura juvenil que surgiu nos Estados Unidos, nos \u00faltimos anos da d\u00e9cada de 1960. Mais especificamente surgido no distrito do Bronx, em Nova Iorque, seu desenvolvimento deu-se a partir da iniciativa de jovens afro-americanos \u2013 como DJ Afrika Bambaataa \u2013 e caribenhos \u2013 como DJ Kool Herc \u2013 como uma forma de express\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Esses primeiros jovens a desenvolver tal feito eram fortemente influenciados pela situa\u00e7\u00e3o local vigente, que era de desemprego, crise de industrializa\u00e7\u00e3o e aumento da viol\u00eancia .<\/p>\n<p>O espa\u00e7o onde a manifesta\u00e7\u00e3o acontecia era a rua:<\/p>\n<p>Os guetos de Nova Iorque dos anos 60\/70 foram o local do surgimento de contingentes juvenis n\u00e3o-brancos reunindo-se para falar, cantar, desenhar e dan\u00e7ar suas cria\u00e7\u00f5es a partir dos res\u00edduos tecnol\u00f3gicos da cidade e de suas experi\u00eancias de vida.<\/p>\n<p>Esses eventos de rua (que futuramente viria a ser batizado de hip-hop) eram marcados pela presen\u00e7a de uma vasta diversidade de pessoas, os eventuais encontros eram abertos para diferentes grupos que se identificavam com aquele tipo de manifesta\u00e7\u00e3o. Entre os freq\u00fcentadores destas festas de rua, haviam integrantes de gangues formadas por jovens moradores dos sub\u00farbios.<\/p>\n<p>Para quem curte relembrar os velhos tempos&#8230;. Mais um som que curti bastante nas danceterias desta \u00e9poca&#8230;..<\/p>\n<p>Afrika Bambaataa \u00e9 o pseud\u00f4nimo de Kevin Donovan (Bronx, Nova York, 19 de abril de 1957) \u00e9 um DJ estado-unidense e l\u00edder da Zulu Nation, reconhecido como fundador oficial do Hip Hop.<\/p>\n<p>Nasceu e foi criado no Bronx e, quando jovem, fazia parte de uma gangue chamada Black Spades (Espadas Negras, em portugu\u00eas), mas viu que as brigas entre as gangues n\u00e3o levariam a lugar nenhum.<\/p>\n<p>Muitos dos membros originais da Zulu Nation tamb\u00e9m faziam parte da Black Spades, que era uma das maiores e mais temidas gangues de Nova York. Bambaataa se utilizou de muitas grava\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes de diferentes tipos de m\u00fasica para criar Raps.<\/p>\n<p>Usando sons, que iam desde James Brown (o pai do Funk) at\u00e9 o som eletr\u00f4nico da m\u00fasica &#8220;Trans-Europe Express&#8221; (da banda europ\u00e9ia Kraftwerk), e misturando ao canto falado trazido pelo DJ jamaicano Kool Herc, Bambaataa criou um cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>Bambaataa tamb\u00e9m foi um dos l\u00edderes do Movimento Libertem James Brown, criado quando o mestre da Soul Music estava preso e, anos depois, foi o primeiro &#8216;Hip-Hopper&#8217; a trabalhar com James Brown, gravando &#8220;Peace, Love &amp; Unity&#8221;.<\/p>\n<p>Bambaataa criou as bases para surgimento do Miami Bass, Freestyle (g\u00eanero musical), ritmos que infu\u00eanciaram o Funk Carioca.<\/p>\n<p>A fim de transformar a viol\u00eancia das gangues em disputas sadias e positivas, o DJ Afrika Bambaataaa \u2013 um dos principais organizadores das festas de rua \u2013 passou a organizar tais festas objetivando converter as \u201crixas\u201d desses grupos de jovens em duelos que envolviam quatro modalidades diferentes \u2013 por\u00e9m relacionadas \u2013 de manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas: o Mc, o DJ, o break dance e o grafite, que anteriormente era utilizado para as gangues demarcarem territ\u00f3rio, que no contexto do hip-hop passa a ser a sua representa\u00e7\u00e3o em forma artes pl\u00e1sticas.<\/p>\n<p>A fim de dar sustenta\u00e7\u00e3o e suporte aos quatro elementos do novo movimento cultural, Bambaataa batiza tal fen\u00f4meno de hip-hop (em portugu\u00eas: movimentar os quadris), um pouco depois, juntamente com a Zulu Nation criou o quinto elemento: o conhecimento.<\/p>\n<p>O hip-hop apresenta uma confus\u00e3o em suas origens devido ao fato de ser um corpo art\u00edstico\/pol\u00edtico\/social simultaneamente, que ora \u00e9 posto como um movimento, ora como uma cultura, sua movimenta\u00e7\u00e3o acontece \u00e1s beiras dos grandes sistemas formais.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito dos estudos sociais e antropol\u00f3gicos o hip-hop \u00e9 compreendido como manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstico\/pol\u00edtica de um momento de transi\u00e7\u00e3o da metr\u00f3pole nova iorquina. J\u00e1 seus praticantes, que o transformaram em filosofia de vida o conceituam como cultura de rua, cuja estrutura \u00e9 baseada em quatro elementos:<\/p>\n<p>DJ (Disc J\u00f3quei \u2013 aquele que seleciona, executa e mistura as m\u00fasicas nas festas), B.boy (Breaking Boy \u2013 aquele que dan\u00e7a), MC (Mestre de Cerim\u00f4nia \u2013 aquele que faz as letras de rap e as rimas de improviso em cima das m\u00fasicas instrumentais executadas pelos DJ&#8217;s), Grafite (Artes Pl\u00e1sticas \u2013 aquele que faz os desenhos e s\u00edmbolos), al\u00e9m \u00e9 claro, do j\u00e1 supra-citado, conhecimento.<\/p>\n<p>A fus\u00e3o entre o MC e o DJ deu origem ao Rap (Rythm and Poetry), em portugu\u00eas Ritmo e Poesia , o rap pode ser ou n\u00e3o o pilar central do hip-hop e esse estilo musical usa a forma b\u00e1sica de express\u00e3o: a voz.<\/p>\n<p>Na sua ess\u00eancia original, a voz permanece praticamente numa mesma nota, trata-se de uma manifesta\u00e7\u00e3o da linguagem falada incorporada a uma melodia que trabalha uma base r\u00edtmica repetitiva. Utilizando-se de sintetizadores, baterias eletr\u00f4nicas e recortes de m\u00fasicas antigas remixadas e reinventadas, tr\u00e1s cr\u00f4nicas dos habitantes de um determinado grupo social.<\/p>\n<p>Antes mesmo de ganhar forma e personalidade atrav\u00e9s do fen\u00f4meno hip-hop, pr\u00e1ticas precursoras do rap j\u00e1 aconteciam h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s em outros lugares do mundo.<\/p>\n<p>A oralidade do rap \u00e9 origin\u00e1ria do canto falado da \u00c1frica ocidental, ap\u00f3s a chegada dos escravos negros em todo continente americano, foi adaptado \u00e0 m\u00fasica jamaicana da d\u00e9cada de 1950 e por \u00faltimo, chegou aos Estados unidos da America atrav\u00e9s dos imigrantes latino-americanos, sendo essa pr\u00e1tica influenciada pela cultura negra dos guetos nova iorquinos no per\u00edodo p\u00f3s-guerra, at\u00e9 ent\u00e3o ganhar formato pr\u00f3prio e ser denominado como Rap .<\/p>\n<p>A modalidade de rap que daremos aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o FreeStyle ou estilo livre, esp\u00e9cie de poesia oral baseada no desafio e improviso. O mesmo mecanismo pode ser observado e encontrado no repente nacional.<\/p>\n<p>Tanto aqueles que fazem rap, bem como o repente, se expressam atrav\u00e9s do canto improvisado com base nas viv\u00eancias e no conhecimento que eles tem da pr\u00f3pria realidade, eles vivenciam os fatos hist\u00f3ricos, sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos, os quais, atrav\u00e9s da emo\u00e7\u00e3o e da imagina\u00e7\u00e3o, recriam esse real em forma de versos.<\/p>\n<p>Menciono em meu trabalho sobre o repente e o cururu, uma caracter\u00edstica em comum entre essas duas modalidades de cantoria de improviso, \u201ctodo o evento gira em torno de dois oponentes, cujas armas consistem no canto, no humor, na palavra, e no qual um procura derrotar o outro diante de uma plat\u00e9ia\u201d.<\/p>\n<p>Embora a rela\u00e7\u00e3o estabelecida tenha sido entre o repente e o cururu, o mesmo tipo de caracter\u00edstica \u00e9 fundamental e indispens\u00e1vel nas batalhas de rap.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o as origens, principalmente no repente, nota-se a confus\u00e3o e a fus\u00e3o de diversas culturas, o que torna in\u00fatil tentar especificar ou detalhar sua origem.<\/p>\n<p>Nesse sentido, mais importante do que definir de modo exato como tudo come\u00e7ou, \u00e9 considerar a onipresen\u00e7a da voz nas mais diversas culturas. Partindo desse princ\u00edpio, buscar o detalhamento das supostas origens do canto de improviso de desafio parece nulo a medida que tal esp\u00e9cie de produ\u00e7\u00e3o cultural surge do entrela\u00e7amento de diversas influ\u00eancias.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que o canto de improviso \u00e9 em geral uma manifesta\u00e7\u00e3o da cultura popular, que pode ser entendida como uma forma de classificar pensamentos e a\u00e7\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es mais pobres de uma sociedade, \u00e9 a cultura da classe desfavorecida, que n\u00e3o det\u00e9m poder.<\/p>\n<p>A cultura popular \u00e9 sempre pensada em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 cultura erudita, chamada tamb\u00e9m de alta cultura, associada \u00e0s classes dominantes.<\/p>\n<p>O repente numa posi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia, ainda tem a sua poesia marginalizada, considerada pela alta cultura como rude e grosseira, devido ao fato de n\u00e3o zelar por um n\u00edvel vocabular erudito, possui uma s\u00edntese particular e seus agentes s\u00e3o, na verdade, o pr\u00f3prio povo.<\/p>\n<p>No caso do rap n\u00e3o \u00e9 nada diferente j\u00e1 que basicamente ele se insere nos espa\u00e7os urbanos marginalizados, segregados etnicamente e s\u00f3cio economicamente.<\/p>\n<p>As caracter\u00edsticas do rap improvisado de desafio, evidencia o seu car\u00e1ter de poesia oral, bem como a sua capacidade de constru\u00e7\u00e3o de uma linguagem po\u00e9tica, depositando na palavra uma for\u00e7a de cria\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de sentido.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o rap e o repente vem instigando debates nas mais diversas atmosferas, a ponto de j\u00e1 se registrar congressos, como por exemplo o REP RAP: Encontro Nacional de Rappers e Repentistas que fui convidado pra ir mais fui Boicotado, ocorrido em Campina Grande no ano de 2007.<\/p>\n<p>Por esses e outros motivos que a rela\u00e7\u00e3o entre o rap e o repente v\u00e3o se tornando cada vez mais pr\u00f3ximas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Repente, g\u00eanero l\u00edtero-musical em que o autor improvisa em p\u00fablico versos e melodias, \u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,9,7,4],"tags":[12,11,101,24,102],"class_list":["post-391","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-gente","category-historia","category-musica","category-opiniao","tag-baixada-fluminense","tag-duque-de-caxias","tag-rap","tag-repente","tag-slow-dabf"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - 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