{"id":2900,"date":"2012-07-02T23:43:32","date_gmt":"2012-07-02T23:43:32","guid":{"rendered":"http:\/\/lurdinha.org\/site\/?p=2900"},"modified":"2012-07-02T23:50:14","modified_gmt":"2012-07-02T23:50:14","slug":"40-anos-do-dia-da-criacao-um-elo-perdido-na-historia-musical-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lurdinha.org\/site\/40-anos-do-dia-da-criacao-um-elo-perdido-na-historia-musical-do-brasil\/","title":{"rendered":"40 anos do Dia da Cria\u00e7\u00e3o &#8211; um elo perdido na hist\u00f3ria musical do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Quando dizemos que Caxias \u00e9 um lugar surpreendente e tem coisas que aconteceram aqui que beiram o inacredit\u00e1vel, tem gente que acha que \u00e9 um bairrismo bobo, mas n\u00e3o \u00e9 nada disso. Pelo menos eu n\u00e3o sou um cara chegado a bairrismo de qualquer tipo e sei bem a complica\u00e7\u00e3o, pra n\u00e3o dizer a merda que \u00e9 morar nessa cidade louca e cruel.\u00a0Mas \u00e9 verdade: na hist\u00f3ria de Duque de Caxias tem muitas coisas que de fato embasbacam. Uma delas por exemplo \u00e9 essa levantada pela dupla fundamental <strong><a href=\"http:\/\/josuejornal.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Josu\u00e9 Cardoso<\/a><\/strong> e <strong>Rog\u00e9rio Torres<\/strong>.<\/p>\n<p>Trata-se da primeira experi\u00eancia de um festival no pa\u00eds nos moldes do Woodstock, ainda no auge da ditadura militar, 1972, em pleno governo sanguinolento do Em\u00edlio Garrastazu.<\/p>\n<p>O <strong>Dia da Cria\u00e7\u00e3o<\/strong> est\u00e1 fazendo 40 anos esse ano e esse artigo (publicado originalmente na nossa querida revista <strong>Pilares da Hist\u00f3ria<\/strong>) tem disparado algumas frentes empolgadas em reunir os poucos registros que restaram desse improv\u00e1vel evento. No final ainda tem um texto do falecido produtor Ezequiel Neves, que sabia das coisas de verdade, escrito sobre o evento. \u201c<em>Voc\u00eas v\u00e3o achar que eu estou exagerando, mas podem crer: se aquele som n\u00e3o tivesse parado, eu acho que at\u00e9 hoje ainda estar\u00edamos vivendo o &#8220;Dia da Cria\u00e7\u00e3o&#8221;\u201d<strong>.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Para ver como Caxias sempre teve uma for\u00e7a gigante no roquenrol, mesmo que parte consider\u00e1vel do p\u00fablico viva falando mal e profetizando o fim da cena na regi\u00e3o. \ud83d\ude42<\/p>\n<p>Com voc\u00eas, o Dia da Cria\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<h3>Dia da Cria\u00e7\u00e3o: Em plena ditadura militar, milhares de jovens fazem de Duque de Caxias um grande palco da liberdade<\/h3>\n<figure id=\"attachment_2902\" aria-describedby=\"caption-attachment-2902\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2902\" title=\"Dia da Cria\u00e7\u00e3o an\u00fancio Rolling Stone n.24 outubro72\" src=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/Dia-da-Criacao-anuncio-Rolling-Stone-n24-outubro72-.jpg\" alt=\"Dia da Cria\u00e7\u00e3o an\u00fancio Rolling Stone n.24 outubro72\" width=\"500\" height=\"742\" srcset=\"https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/Dia-da-Criacao-anuncio-Rolling-Stone-n24-outubro72-.jpg 500w, https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/Dia-da-Criacao-anuncio-Rolling-Stone-n24-outubro72--202x300.jpg 202w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2902\" class=\"wp-caption-text\">Dia da Cria\u00e7\u00e3o - an\u00fancio Rolling Stone n.24 - outubro\/72<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>S\u00e1bado, 14 de outubro de 1972. Milhares de pessoas re\u00fanem-se no Est\u00e1dio Municipal, conhecido como Maracan\u00e3zinho de Caxias, em um grande concerto de rock ao ar livre. O Dia da Cria\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de fluminenses e cariocas, abrigou pessoas vindas de v\u00e1rios estados e at\u00e9 de pa\u00edses vizinhos. Artistas como Fagner, Rui Mauriti Trio, O Ter\u00e7o, Karma e S\u00e1, Rodrix &amp; Guarabyra passaram pelo palco, onde um emaranhado de fios se misturava a incont\u00e1veis caixas de som, amplificadores, microfones, luzes, guitarras, baixos, flautas, viol\u00f5es e sintetizadores. A cidade entrava, para sempre, na hist\u00f3ria por ter realizado o primeiro festival ao ar livre do pa\u00eds voltado ao p\u00fablico jovem.<\/p>\n<p>Realizar um evento como este no munic\u00edpio &#8211; e em qualquer outro ponto do territ\u00f3rio nacional &#8211; era algo inimagin\u00e1vel na \u00e9poca. Muito menos em um espa\u00e7o p\u00fablico administrado pela Prefeitura. O pa\u00eds ainda vivia sob uma ditadura militar e a cidade, por sua vez, era conduzida por um general , o primeiro militar do Ex\u00e9rcito nomeado interventor para \u201cadministrar\u201d a cidade, que passou a ser considerada \u201c\u00e1rea de seguran\u00e7a nacional\u201d a partir de 1968.<\/p>\n<p>&#8211; Era prefeito nomeado na \u00e9poca o general Carlos Marciano de Medeiros, sendo diretora do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura da Prefeitura, a professora Hilda do Carmo Siqueira, irm\u00e3 do Dr. Moacyr do Carmo, ent\u00e3o o \u00faltimo prefeito eleito pelo voto popular. Ela foi uma das poucas exce\u00e7\u00f5es naquele desastrado governo, administrando o DEC com dedica\u00e7\u00e3o e compet\u00eancia, a qual a se subordinava a Divis\u00e3o de Recrea\u00e7\u00e3o e Cultura da municipalidade\u201d, lembrou o professor e historiador St\u00e9lio Lacerda. E foi justamente uma parceria com esse setor da Prefeitura que possibilitou a realiza\u00e7\u00e3o do evento.<\/p>\n<p>O Pa\u00eds estava plenamente submetido ao Ato Institucional n\u00b0 5, assinado por Artur da Costa e Silva no final de 1968 e que vigorou por 10 anos. Entre outros atos de for\u00e7a, o AI-5 permitiu o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano. Era certamente um dos momentos mais dif\u00edceis da vida nacional, quando at\u00e9 mesmo conversas em grupo, em recinto fechado ou n\u00e3o, eram terminantemente proibidas.<\/p>\n<p>Os jovens brasileiros, mesmo que um pouco tardio, tamb\u00e9m faziam parte do movimento de contracultura que havia se alastrado pela Europa e Estados Unidos a partir da guerra do Vietn\u00e3, iniciada em 1959 e que durou at\u00e9 1975, considerado o mais longo conflito militar ocorrido depois da II Guerra Mundial. Esse movimento fez surgir o \u201cflower power\u201d, que originou v\u00e1rios festivais de rock, e a \u201cera de aquarius\u201d. A juventude era chamada de \u201cgera\u00e7\u00e3o bendita\u201d, curtindo o \u201cdesbunde\u201d, a paz e o amor, os cabelos longos e as roupas coloridas. Assim como ocorria l\u00e1 fora, nossos jovens tamb\u00e9m eram contra as guerras e a tecnocracia e buscavam um modo de vida alternativo, longe dos conflitos.<br \/>\n.<\/p>\n<p><strong>CONTRACULTURA<\/strong><\/p>\n<p>A pe\u00e7a \u201cHair\u201d, um dos maiores s\u00edmbolos daquela d\u00e9cada, estreou em 1968 e depois seguiu para a Broadway, onde foi encenada quase duas mil vezes. De seu elenco, Beverly D&#8217;Angelo, \u00fanica a n\u00e3o aparecer nua em cena, ganharia consagra\u00e7\u00e3o em Hollywood. O \u00e1lbum com as can\u00e7\u00f5es da pe\u00e7a foi agraciado com o Grammy de 1969. Seguiram-se outras montagens em Los Angeles, Londres e Sydney. No M\u00e9xico, depois da primeira apresenta\u00e7\u00e3o, foi proibida pelo governo e os atores, amea\u00e7ados de pris\u00e3o, tiveram que deixar apressadamente o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ela chegou ao Brasil quase um ano ap\u00f3s a decreta\u00e7\u00e3o do famigerado AI-5, estreando em S\u00e3o Paulo por iniciativa de Ademar Guerra. Al\u00e9m da descren\u00e7a dos empres\u00e1rios, ele e o produtor Altair Lima tiveram que vencer tamb\u00e9m a censura. Apesar das restri\u00e7\u00f5es, Ademar conseguiu dobrar os censores, dando um tratamento requintado \u00e0 \u00fanica cena de nudez autorizada, que caiu no gosto do p\u00fablico e da cr\u00edtica e \u00e9 lembrada at\u00e9 hoje como um dos grandes momentos do teatro brasileiro. A pe\u00e7a marcou a estr\u00e9ia de v\u00e1rios jovens atores e atrizes, que depois se tornaram famosos por suas atua\u00e7\u00f5es no teatro, cinema e televis\u00e3o. O elenco inicial tinha, entre outros, Aracy Balabanian, Armando Bogus, Bibi Vogel e S\u00f4nia Braga, a grande estrela da pe\u00e7a. Entre os que se encantaram com ela, estava Caetano Veloso, que comp\u00f4s \u201cTigresa\u201d em sua homenagem. \u201cHair\u201d ficou em cartaz at\u00e9 1972, contando com outros profissionais como Antonio Fagundes, Buza Ferraz, Denis Carvalho, Ney Latorraca, Nuno Leal Maia e Wolf Maia.<\/p>\n<p>O rock and roll, que influenciara gera\u00e7\u00f5es em todo o mundo desde o final da d\u00e9cada de 50, era mais uma vez o canal para a juventude extravasar. Ele passava por mais uma muta\u00e7\u00e3o depois da dissolu\u00e7\u00e3o dos Beatles, em 1970. O mesmo acontecia com a m\u00fasica popular brasileira que, mesmo sob a ditadura, havia experimentado inova\u00e7\u00f5es com o romantismo da jovem guarda e a psicodelia da tropic\u00e1lia. O AI-5 reinava com todas suas armas. Quem fugia das regras podia ser preso, morto ou exilado. A repress\u00e3o era violenta e n\u00e3o havia filme, livro, jornal, revista, disco ou show que n\u00e3o sofresse mutila\u00e7\u00e3o ou proibi\u00e7\u00e3o. Virada a d\u00e9cada, o esp\u00edrito \u201cunderground\u201d se fortalece como mais uma vertente do rock, na busca de preencher a sensa\u00e7\u00e3o de abandono que o pa\u00eds vivia sob a esteira das leis de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1972 foram lan\u00e7ados importantes discos na MPB, como \u201cAcabou Chorare\u201d (Os Novos Baianos), \u201cClube da Esquina\u201d (Milton Nascimento e L\u00f4 Borges), \u201cMutantes e Seus Cometas no Pa\u00eds dos Baurets (Os Mutantes), \u201cAmanhecer Total\u201d (O Ter\u00e7o), \u201cPassado, Presente e Futuro (S\u00e1, Rodrix &amp; Guarabyra), \u201cQuadraf\u00f4nico\u201d (Alceu Valen\u00e7a e Geraldo Azevedo), \u201cHoje \u00e9 o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida\u201d (Rita Lee), \u201cSonhos e Mem\u00f3rias 1941-1972\u201d (Erasmo Carlos), \u201cTransa\u201d (Caetano Veloso), \u201cExpresso 2222\u201d (Gilberto Gil) e \u201cVento Sul (Marcos Valle), al\u00e9m do anual de Roberto Carlos, que j\u00e1 chegava \u00e0s lojas com vendas antecipadas de centenas de milhares de exemplares.<br \/>\n.<\/p>\n<p><strong>PIONEIRISMO<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador \u00c1lvaro Faria (<em>http:\/\/arquivoculturamauff.blogspot.com\/2007\/11\/o-rock-brasileiro-dos-anos-70-alvaro.html<\/em>) assinalou na monografia \u201cO Rock Brasileiro dos Anos 70\u201d: \u201cUm sonho perseguido com afinco pela nossa juventude roqueira era a realiza\u00e7\u00e3o do \u201cnosso\u201d Woodstock, um grande festival de rock ao ar livre, nos moldes do lend\u00e1rio evento acontecido nos EUA, em 1968. Muitas tentativas se fizeram, mas a repress\u00e3o e a desconfian\u00e7a do governo somada \u00e0 precariedade do nosso show business da \u00e9poca s\u00f3 resultaram em, no m\u00e1ximo, sucessos parciais\u201d.<\/p>\n<p>E cita o hist\u00f3rico evento realizado em Duque de Caxias: \u201cUma das primeiras tentativas neste sentido foi o festival Dia da Cria\u00e7\u00e3o, que aconteceu em outubro de 1972 no Est\u00e1dio Municipal de Duque de Caxias, RJ. O evento, organizado por Marinaldo Guimar\u00e3es, empres\u00e1rio do grupo M\u00f3dulo 1000 e um dos principais \u201cagitadores\u201d do rock na \u00e9poca, reuniu cerca de duas mil pessoas, e teve como atra\u00e7\u00f5es S\u00e1, Rodrix &amp; Guarabyra, Milton Nascimento &amp; Som Imagin\u00e1rio, O Ter\u00e7o, Os Braz\u00f5es, Karma, Sociedade An\u00f4nima, M\u00f3dulo 1000, O Gr\u00e3o, Diana &amp; Stul, Liverpool, Jards Macal\u00e9, A Gosma e Faia. Muitos destes artistas n\u00e3o chegaram a deixar nenhum registro gravado\u201d. (NR.: Vale acrescentar que Milton Nascimento e o Som Imagin\u00e1rio, mesmo anunciados, n\u00e3o se apresentaram).<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, outros concertos de rock foram realizados em alguns pontos do Brasil, destacando-se o Hollywood Rock (Est\u00e1dio do Botafogo, RJ), que durou quatro s\u00e1bados; o \u201cFestival de \u00c1guas Claras\u201d (Iacanga, S\u00e3o Paulo) e o \u201cBanana Progressiva\u201d (teatro da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, S\u00e3o Paulo), todos em 1975. Foi a partir deles que \u201ca repress\u00e3o come\u00e7ou a tratar com mais dureza os eventos de rock, principalmente ao ar livre\u201d, observa o pesquisador. Mesmo assim, ainda teve destaque o \u201cSom, Sol e Surf\u201d, em Saquarema (1976), assim como o \u201cHollywood Rock\u201d citado, produzido pelo jornalista Nelson Motta. O \u201cHollywood Rock\u201d ganharia outras vers\u00f5es com patroc\u00ednio de uma tabacaria, nas cidades do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, nos anos de 1988, 1990, 1992, 1993, 1995 e 1996, tamb\u00e9m com atra\u00e7\u00f5es internacionais. Antes, em 1985, no Rio de Janeiro, o mega \u201cRock in Rio\u201d, do empres\u00e1rio Roberto Medina, projetou-se como um evento de repercuss\u00e3o mundial e ganharia outras seis edi\u00e7\u00f5es (duas no Brasil, tr\u00eas em Portugal e uma na Espanha). Mas isso j\u00e1 \u00e9 uma outra hist\u00f3ria.<br \/>\n.<\/p>\n<p><strong>OUSADIA<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>Apesar de sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, o \u201cDia da Cria\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o teve grande repercuss\u00e3o na imprensa e a divulga\u00e7\u00e3o que merecia pelo seu pioneirismo no Brasil. A propaganda \u201cboca em boca\u201d parece ter sido a principal para o sucesso do acontecimento, como lembram algumas pessoas que l\u00e1 estiveram e com as quais conversamos. Al\u00e9m de uma chamada no Caderno B do \u201cJornal do Brasil\u201d no dia do evento e um \u201cflash\u201d na TV Globo, contou apenas com a cobertura da edi\u00e7\u00e3o brasileira da \u201cRevista Rolling Stone\u201d.<\/p>\n<p>O an\u00fancio oficial do evento foi feito em sua edi\u00e7\u00e3o n\u00b0 25 (outubro), em mat\u00e9ria que ocupou toda a p\u00e1gina 3: \u201dO Grupo de Trabalhos Avulsos pretende que o Dia da Cria\u00e7\u00e3o seja uma festa livre onde todas as pessoas possam participar com sua m\u00fasica, sua arte e as boas vibra\u00e7\u00f5es. Um concerto pop em que se mistura, pela primeira vez, educa\u00e7\u00e3o e rock.\u201d, assinalava o texto, acrescentando que parte da renda seria destinada \u00e0 caixa escolar do Munic\u00edpio, sendo os ingressos vendidos antecipadamente nas salas de aula da cidade e em dois postos: um no Edif\u00edcio Profissional, no bairro 25 de Agosto, e outro em Ipanema, zona sul do Rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de nominar as presen\u00e7as \u201cconfirmadas\u201d acima mencionadas, informava que fariam parte da estrutura no dia do evento, um posto m\u00e9dico e policiamento no interior do est\u00e1dio, onde foi montado o palco e recebido o p\u00fablico. Ao redor do gramado, foram montadas tendas de lona para a produ\u00e7\u00e3o, camarins de m\u00fasicos e venda e troca de roupas e artes pl\u00e1sticas, al\u00e9m de refrigerantes e sandu\u00edches. O an\u00fancio (em princ\u00edpio material jornal\u00edstico e n\u00e3o publicit\u00e1rio), divulgou at\u00e9 um roteiro de como as pessoas de fora poderiam chegar ao local do evento, cuja entrada custaria apenas Cr$ 5 (Cinco cruzeiros).<\/p>\n<p>Trinta e seis anos depois, foi muito trabalhoso levantar as circunst\u00e2ncias de como o \u201cDia da Cria\u00e7\u00e3o\u201d foi concebido e realizado. S\u00e3o pouqu\u00edssimos os registros sobre o evento e as pessoas envolvidas em sua organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 faleceram, como Marinaldo Guimar\u00e3es, Leonis (O Le\u00e3o de Caxias) e Ademir Lemos, al\u00e9m de Carlos Garcez, do qual n\u00e3o se tem not\u00edcias.<\/p>\n<p>\u201cAs previs\u00f5es iniciais de 12 horas consecutivas de som acabaram virando quase 20 horas de festa total\u201d, assinalou o jornalista Ezequiel Neves na coluna \u201cToque\u201d, publicada em 7 de novembro de 1972 na \u201cRolling Stone\u201d, \u00fanico \u00f3rg\u00e3o a cobrir o evento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_2903\" aria-describedby=\"caption-attachment-2903\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2903\" title=\"Cartaz do Dia da Cria\u00e7\u00e3o \" src=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/Dia-da-Criacao-Imagem-1-cartaz.jpg\" alt=\"Cartaz do Dia da Cria\u00e7\u00e3o \" width=\"590\" height=\"790\" srcset=\"https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/Dia-da-Criacao-Imagem-1-cartaz.jpg 590w, https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/Dia-da-Criacao-Imagem-1-cartaz-224x300.jpg 224w\" sizes=\"auto, (max-width: 590px) 100vw, 590px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2903\" class=\"wp-caption-text\">Cartaz do Dia da Cria\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>.<\/p>\n<p><strong>DE FORA<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o constar na lista dos participantes, o grupo Massa Experi\u00eancia (Aldemir Duval &#8211; baixo, composi\u00e7\u00e3o e voz, Paulo Rom\u00e1rio &#8211; piano e vocal, Mar\u00e7al \u2013 guitarra, Gigante &#8211; percuss\u00e3o e vocal e Roberto &#8211; bateria), surgido em Duque de Caxias em meados de 1971, tinha sua participa\u00e7\u00e3o como certa, convidado que foi, representando a Baixada Fluminense. Por\u00e9m, n\u00e3o subiu no palco. Aldemir Durval, que hoje mora e trabalha como m\u00fasico na Fran\u00e7a, explicou, por email, que havia sido acertado que o grupo encerraria o evento, oficialmente aberto pelo O Ter\u00e7o. Por\u00e9m, isso n\u00e3o aconteceu, segundo ele, por iniciativa da organiza\u00e7\u00e3o do evento, que se perdeu diante do tamanho que se tornou o evento. \u201cNem por isso perdemos o bom humor e participamos como outras milhares de pessoas participaram. Foi um momento hist\u00f3rico para a m\u00fasica brasileira e n\u00f3s est\u00e1vamos l\u00e1\u201d, lembrou Duval.<\/p>\n<p>Segundo o jornalista <a href=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/?author=5\">Eldemar de Souza<\/a>, um dos letristas do grupo, a <a href=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/?p=1029\" target=\"_blank\">Massa Experi\u00eancia<\/a> foi a primeira banda pop-rock surgida em Duque de Caxias, no bojo do p\u00f3s-tropicalismo. \u201cN\u00e3o h\u00e1 not\u00edcia de nenhum outro grupo de m\u00fasicos na Baixada Fluminense, que a tenha precedido em apresenta\u00e7\u00f5es no circuito musical de sua \u00e9poca, nos teatros da Zona Sul carioca\u201d, afirmou ele no texto \u201cA Massa Experi\u00eancia e as experi\u00eancias da Massa\u201d, publicado em seu blog (<em>http:\/\/eldemardesouza.blogspot.com<\/em>).<\/p>\n<p>O local onde foi realizado o \u201cDia da Cria\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 administrado pela Prefeitura at\u00e9 hoje. Ali funcionam a Vila Ol\u00edmpica da cidade e a Secretaria de Esporte e Lazer. Quem por ali passa, n\u00e3o faz a m\u00ednima id\u00e9ia de que o local serviu como um importante atalho para que surgissem outros grandes eventos de m\u00fasica ao ar livre e, ao mesmo tempo, mostrar ao Pa\u00eds que a liberdade se conquista, n\u00e3o vem ao acaso como um presente qualquer.<\/p>\n<p>A cidade s\u00f3 viria a reconquistar sua autonomia em 1985, depois de abrigar mais dois coron\u00e9is do Ex\u00e9rcito e um civil, todos nomeados sem consulta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, n\u00e3o se teve not\u00edcia de nenhum outro evento como aquele at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>O \u201cDia da Cria\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9, certamente, um elo perdido na hist\u00f3ria cultural do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Texto de <a href=\"http:\/\/josuejornal.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Josu\u00e9 Cardoso<\/a> e Rog\u00e9rio Torres, publicado originalmente na Revista Pilares da Hist\u00f3ria\u00a0&#8211; Duque de Caxias e Baixada Fluminense\u00a0&#8211; RJ, Edi\u00e7\u00e3o n\u00b0 10, em maio de 2010, editada pelo Instituto Hist\u00f3rico Vereador Thom\u00e9 Siqueira Barreto-C\u00e2mara Municipal de Duque de Caxias e pela Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos do Instituto Hist\u00f3rico-ASAMIH.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2904\" title=\"Dia da Cria\u00e7\u00e3o - mat\u00e9ria de Ezequiel Neves\" src=\"http:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/Dia-da-Criacao-materia-Ezequiel-Neves.jpg\" alt=\"Dia da Cria\u00e7\u00e3o - mat\u00e9ria de Ezequiel Neves\" width=\"500\" height=\"523\" srcset=\"https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/Dia-da-Criacao-materia-Ezequiel-Neves.jpg 500w, https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/Dia-da-Criacao-materia-Ezequiel-Neves-286x300.jpg 286w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p><strong>Transcri\u00e7\u00e3o de reportagem assinada pelo jornalista Ezequiel Neves, na se\u00e7\u00e3o &#8220;Toque&#8221;, da Revista Rolling Stone (edi\u00e7\u00e3o brasileira) n\u00b0 25, em 7 de novembro de 1972, sobre o Dia da Cria\u00e7\u00e3o, festival de rock realizado em Duque de Caxias. Est\u00e3o mantidas a grafia e a reda\u00e7\u00e3o do original<\/strong><br \/>\n&#8220;<em>Acho que seria muito bom lembrar agora o velho ditado: \u201c\u00c1gua mole em pedra dura, tanto bate at\u00e9 que fura\u201d. Isso a respeito das coisas que est\u00e3o no ar. Est\u00e3o pintando transa\u00e7\u00f5es maneir\u00edssimas e a gente tem que acender muita vela pr\u00e1 que tudo caminhe como tem caminhado. Digo isso porque o ver\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 chegando e se as coisas continuarem assim, o ver\u00e3o 73 ser\u00e1 uma sucess\u00e3o intermin\u00e1vel de festas. A garotada ter\u00e1, finalmente, sua esta\u00e7\u00e3o de m\u00fasica e boas vibra\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Digo isso porque outro dia passei mais de quinze horas num clima de pura festa, campo aberto e graminha verde, ouvindo as pessoas fazerem m\u00fasica, transando com elas, vivendo de um modo que eu n\u00e3o vivia h\u00e1 muito tempo. Eu sei, bem no fundo da cuca e do cora\u00e7\u00e3o, que tudo de bom que passei, foi apenas uma amostra do que est\u00e1 para acontecer em v\u00e1rios pontos desse pa\u00eds. Sei disso porque a garotada est\u00e1 louca pr\u00e1 se encontrar, pr\u00e1 se juntar e comungar, pr\u00e1 curtir um som legal longe de grilos e paran\u00f3ias.<\/em><\/p>\n<p><em>O &#8220;Dia da Cria\u00e7\u00e3o&#8221; foi assim, foi uma festa de purifica\u00e7\u00e3o onde as vibra\u00e7\u00f5es eram as melhores poss\u00edveis. Basta dizer que as previs\u00f5es iniciais de 12 horas consecutivas de som acabaram virando quase 20 horas de festa total. E muitos grupos deixaram de tocar simplesmente porque n\u00e3o havia mais tempo dispon\u00edvel. Quer dizer, se todos fossem tocar a gente teria de ficar uns dois dias reunidos. E isso, por causa das circunst\u00e2ncias, era completamente imposs\u00edvel.<\/em><\/p>\n<p><em>Muita gente deu um duro danado para que a festa acontecesse. Eu n\u00e3o teria o saco que eles tiveram para fazer aquilo tudo. Marinaldo, Ademir, o GTA e a Prefeitura de Caxias (desculpe se saltei algu\u00e9m, mas e que escrevo tudo de cabe\u00e7a e minha cabe\u00e7a anda muito maluquete) reuniram uma equipe sensacional. Quando cheguei no Est\u00e1dio Municipal de Duque de Caxias fiquei completamente desbundado. Havia, fora o palco central, uma por\u00e7\u00e3o de barracas armadas e as pessoas curtiam aquilo tudo como se estivessem voltando \u00e0 inf\u00e2ncia. E de um certo modo estavam mesmo, j\u00e1 que toda esp\u00e9cie de repress\u00e3o estava completamente longe dali. O teto era o c\u00e9u aberto, o ch\u00e3o um espa\u00e7o enorme coberto de grama.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Marinaldo me contou que tudo aquilo estava na beira de fracassar. Dois dias antes, a empresa encarregada da aparelhagem de som fez uma bruta sacanagem n\u00e3o assumindo o compromisso combinado. Eles tiveram de quebrar o galho de outra forma, sem tempo e sem dinheiro, mas sempre com uma vontade louca de n\u00e3o decepcionar a garotada. E a festa aconteceu. Ou melhor, estava acontecendo. E o que pintava de bons conjuntos n\u00e3o era mole!<\/em><\/p>\n<p><em>Cheguei l\u00e1 \u00e0s tr\u00eas da tarde e \u00e0s cinco j\u00e1 estava completamente louco. \u00c9 sempre assim: bastou algu\u00e9m p\u00f4r o dedo numa guitarra pr\u00e1 eu ficar hecatombicamente maluco. O som bate na minha cuca e eu me sinto a pr\u00f3pria semente da consci\u00eancia c\u00f3smica. Fiquei passeando solto, com aquele sonz\u00e3o me amparando e conduzindo, o Sol na minha cara mandando as mais incr\u00edveis fosforesc\u00eancias. Encontrei uma turma maravilhosa de S\u00e3o Paulo (eles chegaram no Rio e foram direto pr\u00e1 Caxias, \u201cporque l\u00e1 \u00e9 que estava instalado o pais do som\u201d, me disseram). Sentei na grama e fiquei batendo um pap\u00e3o g\u00eanio com tr\u00eas garotas lindas de SP. Elas me deram noticias incr\u00edveis, me falaram de Paulinho KIein (oi Paulinho!), me contaram que o som em SP n\u00e3o vai indo nada bem, o que me deixou bastante grilado.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas aquele n\u00e3o era hora de grilos, e foi por isso que me levantei e fui ver uma exposi\u00e7\u00e3o de posters que estava armada bem perto de onde a gente estava. Havia um p\u00f4ster incr\u00edvel de Janis Joplin e um outro mais incr\u00edvel ainda, de Robert Plant. E havia tamb\u00e9m barracas sensacionais onde a gente podia descansar e conversar enquanto o som explodia l\u00e1 fora em todas as dire\u00e7\u00f5es. Acho at\u00e9 que banquei o intrometido entrando sem ser convidado na barraca (oriental\u00edssima e com incensos maravilhosos) do Modulo Mil. Eu estava t\u00e3o louco que nem podia falar e a turma legal\u00edssima que estava l\u00e1 dentro me recebeu compreendendo e sentindo isso. Quer dizer, me deixaram logo \u00e0 vontade.<\/em><\/p>\n<p><em>Acho que nem me despedi deles quando ouvi o som do Ruy Maurity. Sa\u00ed correndo, abri caminho por uma multid\u00e3o incr\u00edvel, me ajeitei bem na frente e l\u00e1 fiquei pulando ao som de &#8220;Em Busca do Ouro&#8221;. A noite j\u00e1 tinha chegado, uma lua t\u00edmida espiava aquilo tudo, e pelo jeito, gostou tanto que at\u00e9 resolveu crescer. Ficou n\u00edtida, prateada, e acabou dan\u00e7ando tamb\u00e9m \u2013 isso eu juro que vi, mas \u00e9 segredo.<\/em><\/p>\n<p><em>Depois chegou a voz de Fagner, o cearense mais universal desse planeta. Fagner e seu viol\u00e3o castigaram um mont\u00e3o de coisas lindas, mas eu me lembro mais de duas delas, &#8220;Cavalo-Ferro&#8221; (primeira vez que ouvi essa maravilha na voz dele) e &#8220;Quatro Graus&#8221;. Eu estava sentado e quando Fagner acabou de cantar me levantei pr\u00e1 n\u00e3o me sentar mais at\u00e9 \u00e0s 3 horas da manh\u00e3. \u00c9 que o som ficou t\u00e3o sacudido que eu n\u00e3o parei mais de dan\u00e7ar.<\/em><\/p>\n<p><em>Paulo, Cl\u00e1udio &amp; Maur\u00edcio mandaram uma brasa doida, um som maluco com milh\u00f5es de harmonia inventadas e brotadas da flauta de um deles. Henric\u00e3o entrou na dan\u00e7a e deu um show fort\u00edssimo. O Liverpool Sound deu uma de blues, enquanto O Gr\u00e3o, O Ter\u00e7o, Faia e o M\u00f3dulo Mil detonaram seus rocks fazendo o pessoal botar os y\u00e1-y\u00e1s pr\u00e1 fora. O Faia me deixou mais louco ainda com uma letra berrada contando mis\u00e9rias: \u201cEu vou comer feij\u00e3o com ketichup, pr\u00e1 vomitar em voc\u00ea\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Depois teve Lena Rios, Os Braz\u00f5es, Jorge Mello (muito estranho) e S\u00e1, Rodrix &amp; Guarabyra. L\u00f3gico que continuei pulando feito um louco e pulei mais ainda quando eles, os S\u00e1s, Rodrix &amp; Guarabyras de my life, lascaram o &#8220;Vamos Por A\u00ed&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><em>Olha, foi lindo pacas! Quando eu sai de l\u00e1, Diana\u00a0&amp; Stull estavam cantando &#8220;Ai Que Dor&#8221; (que eles acabam de lan\u00e7ar em compacto). Diana estava linda, contou um monte de coisas pr\u00e1 garotada linda que ainda n\u00e3o havia arredado p\u00e9 apesar do avan\u00e7ado da hora.<\/em><\/p>\n<p><em>Voc\u00eas v\u00e3o achar que eu estou exagerando, mas podem crer: se aquele som n\u00e3o tivesse parado, eu acho que at\u00e9 hoje ainda estar\u00edamos vivendo o &#8220;Dia da Cria\u00e7\u00e3o&#8221;. Eu acho que ele, realmente, ainda n\u00e3o acabou. Est\u00e1 apenas\u00a0come\u00e7ando. Isso eu sinto pelas vibra\u00e7\u00f5es pur\u00edsimas que est\u00e3o no ar. E o ver\u00e3o vem a\u00ed pr\u00e1 gente se reunir e ser crian\u00e7a de novo&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p><strong>Transcri\u00e7\u00e3o do an\u00fancio publicado na Revista Rolling Stone n\u00b0 24, em outubro de 1972:<\/strong><br \/>\n<em>&#8220;O Dia da Cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um concerto de m\u00fasica ao ar livre, organizado em moldes profissionais pelo Grupo de Trabalhos Avulsos, composto de estudantes universit\u00e1rios, idealizado por Leonis (O Le\u00e3o de Caxias) e produzido pelo Carlinhos Garcez e Marinaldo Guimar\u00e3es.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Todo mundo que transa no mundo pop conhece as dificuldades de se realizar um concerto ao ar livre. O Grupo de Trabalhos Avulsos conseguiu superar todos os obst\u00e1culos para uma realiza\u00e7\u00e3o desse tipo numa jogada de bastante profissionalismo, em colabora\u00e7\u00e3o com a Divis\u00e3o da Cultura e Recrea\u00e7\u00e3o da Prefeitura Municipal, que est\u00e1 vendendo ingressos nas salas de aula, com anteced\u00eancia, e posterioridade, dividir\u00e1 a renda com a Caixa Escolar do Munic\u00edpio.<\/em><\/p>\n<p><em>Para quem n\u00e3o saca, isso significa uma proje\u00e7\u00e3o muito importante. Um concerto pop em que se mistura, pela primeira vez, educa\u00e7\u00e3o e rock. Este departamento conseguiu tamb\u00e9m a organiza\u00e7\u00e3o do concerto no Est\u00e1dio Municipal, alem da instala\u00e7\u00e3o do palco, ilumina\u00e7\u00e3o, posto m\u00e9dico de urg\u00eancia e policiamento.<\/em><\/p>\n<p><em>O Dia da Cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 aberto \u00e0 livre cria\u00e7\u00e3o de todos o grupos musicais que desejarem participar. (GTA: Pra\u00e7a Roberto Silveira, 15, s\/208, Tel. 4056, Caxias, ou Carlos Garcez , Rua Redentor, 11, I Cobertura, Ipanema, tel. 227-1629). Al\u00e9m de m\u00fasicos, os artistas pl\u00e1sticos, artes\u00e3os e outros que desejem apresentar seus trabalhos poder\u00e3o se apresentar no local.<\/em><\/p>\n<p><em>Os grupos que j\u00e1 confirmaram sua participa\u00e7\u00e3o s\u00e3o: S\u00e1, Rodrix\u00a0&amp; Guarabira, M\u00f3dulo Mil, O Gr\u00e3o, Jorge Mello (vencedor do Festival Universit\u00e1rio), Equipe Mercado, (Diana &amp; Stul), Faia, Lena Rios e Os Bras\u00f5es, al\u00e9m dos convidados Ruy Mauriti Trio, O Ter\u00e7o, Milton Nascimento &amp; Som Imagin\u00e1rio, Karma e Liverpool Sound.<\/em><\/p>\n<p><em>No local estar\u00e3o armadas barracas com refrigerantes e sandu\u00edches, e o ingresso custar\u00e1 Cr$ 5,00 (cinco cruzeiros).<\/em><\/p>\n<p><em>O Grupo de Trabalhos Avulsos pretende que o Dia da Cria\u00e7\u00e3o seja uma festa livre onde todas as pessoas possam participar com sua m\u00fasica, sua arte e as boas vibra\u00e7\u00f5es.<\/em><br \/>\n<em>.<br \/>\n<\/em><br \/>\n<em>ROTEIRO &#8211;\u00a0Condu\u00e7\u00e3o para Caxias:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00d4NIBUS DA PRA\u00c7A MAU\u00c1: Caxias-Mau\u00e1, via 25 de agosto (saltar em Caxias, na Pra\u00e7a Humait\u00e1)<\/em><br \/>\n<em>TIJUCA: Pra\u00e7a da Bandeira-Caxias<\/em><br \/>\n<em>ZONA NORE: Caxias-Del Castilho, Caxias-M\u00e9ier, Penha-Caxias, Caxias-Freguesia (Jacarepagu\u00e1)<\/em><br \/>\n<em>PARA QUEM QUISE CURTIR DE TREM:<\/em><br \/>\n<em>Esta\u00e7\u00e3o da Leopoldina ou Central do Brasil (Esta\u00e7\u00e3o Francisco de S\u00e1, pr\u00f3ximo \u00e0 Pra\u00e7a da Bandeira)<\/em><\/p>\n<p><em>PARA OS QUE QUISEREM IR DE T\u00c1XI:<\/em><br \/>\n<em>Pre\u00e7o m\u00e9dio de ida e volta: Cr$ 30,00; ponto de refer\u00eancia para localiza\u00e7\u00e3o do Est\u00e1dio Municipal em Caxias: Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Roberto Silveira&#8221;<\/em><\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando dizemos que Caxias \u00e9 um lugar surpreendente e tem coisas que aconteceram aqui que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,7],"tags":[12,210,397,11,818],"class_list":["post-2900","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia","category-musica","tag-baixada-fluminense","tag-cultura","tag-dia-da-criacao","tag-duque-de-caxias","tag-musica"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>40 anos do Dia da Cria\u00e7\u00e3o - um elo perdido na hist\u00f3ria musical do Brasil - Lurdinha - Duque de Caxias para Est\u00f4magos Fortes<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/lurdinha.org\/site\/40-anos-do-dia-da-criacao-um-elo-perdido-na-historia-musical-do-brasil\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"40 anos do Dia da Cria\u00e7\u00e3o - um elo perdido na hist\u00f3ria musical do Brasil - Lurdinha - Duque de Caxias para Est\u00f4magos Fortes\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Quando dizemos que Caxias \u00e9 um lugar surpreendente e tem coisas que aconteceram aqui que...\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lurdinha.org\/site\/40-anos-do-dia-da-criacao-um-elo-perdido-na-historia-musical-do-brasil\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Lurdinha - Duque de Caxias para Est\u00f4magos Fortes\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/LurdinhadeCaxias\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"botocudo\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2012-07-02T23:43:32+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2012-07-02T23:50:14+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/lurdinha.org\/site\/wp-content\/uploads\/Dia-da-Criacao-anuncio-Rolling-Stone-n24-outubro72-.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"500\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"742\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"heraldo hb\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"heraldo hb\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"22 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lurdinha.org\\\/site\\\/40-anos-do-dia-da-criacao-um-elo-perdido-na-historia-musical-do-brasil\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lurdinha.org\\\/site\\\/40-anos-do-dia-da-criacao-um-elo-perdido-na-historia-musical-do-brasil\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"heraldo hb\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lurdinha.org\\\/site\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/b833bb6a7f82598bf0e95e4c30874251\"},\"headline\":\"40 anos do Dia da Cria\u00e7\u00e3o &#8211; 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