As pessoas que moram ou trabalham em Imbariê, 3º Distrito de Duque de Caxias e local de nascimento do patrono do Exército Brasileiro, não podem mais usar a Biblioteca Comunitária Monteiro Lobato, também conhecida como Biblioteca Pública de Imbariê, cuja importância para a Casa Brasil é indiscutível (se a Casa Brasil existe, é porque primeiro foi consolidada uma biblioteca no mesmo prédio). Depois de uma forte chuva, o acervo foi destruído, e a biblioteca, fechada. A partir da admissão de que toda biblioteca é tão importante quanto uma delegacia ou um hospital, podemos ficar tão indignados com o não-funcionamento da biblioteca quanto ficaríamos se fechassem o posto de saúde de Imbariê. Precisamos lutar pela reforma da biblioteca, pela substituição do acervo e pela reabertura da biblioteca e da Casa Brasil.
O curioso é que, além dos estudantes do ensinos fundamental e médio, há profissionais que dependem unicamente de livros, como professores e advogados (sim, existem advogados em Imbariê). O descaso com que a biblioteca tem sido tratada pelas autoridades revela que o poder público continua sendo um aparelho da iniciativa privada, isto é: um instrumento da burguesia. Com efeito: a divisão social do trabalho prega que em Imbariê todOs devem fazer trabalho braçal enquanto todAs cuidam do lar. Para que seria necessária uma biblioteca num lugar tão pobre? Não dá lucro nem voto aos que defendem os interesses de empresários (os verdadeiros corruptores do Estado).
Por fim, faço um apelo às pessoas que trabalham com movimentos culturais e aos grupos que lidam com bibliotecas. Parece que muitas dessas pessoas são progressistas. Apesar de seu progressismo, o seu engajamento, a julgar pelas falas que escutei num evento realizado ano passado na Biblioteca Leonel de Moura Brizola, está contaminado por uma noção danosa da direita, um mito pequeno-burguês há muito cristalizado: o de que as bibliotecas são subversivas por irem de encontro aos interesses do Estado. Este é opressor e corrupto, pelo que pude inferir. Ora, não devemos criar modos de nos libertar do Estado, como prega a direita (canalha que é): temos de fazer com que preste! É obrigação dele tirar o dinheiro que vai para a iniciativa privada de modo que possa usar o dinheiro no setor público!


Márcio Alessandro

Márcio Alessandro de Oliveira está no primeiro período da faculdade de Letras da Universidade do Grande Rio, e escreve crônicas para jornais. Nasceu a 10 de maio de 1990, e cresceu em Imbariê e Santa Lúcia, bairros do Terceiro Distrito de Duque de Caxias. http://asfarpascaxienses.blogspot.com

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